VENEZUELA, EQUILÍBRIO DA BELEZA
Venezuela começa lá no mar, nas águas do Caribe, para levantar-se e extender-se devagar no continente, criando paisagens de contrastes extremos e sem ordem nenhuma, sucedendo-se sem parar ao rítmo de vertígem. O olhar do visitante perde-se nas dilatadas planícies, entre as efêmeras ilhas do Caribe, nos vales e cumes dos Andes, nos inumeráveis braços do Rio Orinoco, no barulho da selva, nos nevoeiros que envolvem e escondem o Salto do Anjo, na quietude do Lago Maracaibo ou nos estranhos e refletidores arranha-céus de Caracas. E nessa viagem de encontros e olhares perdidos vão surgindo os rostos, tão diversos, que conformam a geografia humana da Venezuela. Habitantes das planícies, dos Andes, da capital, colonos, guajiros ou waraos, todos eles, com suas claras diferenças, como os paisagens, atingem um misterioso equilíbrio, que tem por resultado a beleza.
Não são as tranquilas praias da Ilha Margarita, de Las Roques ou do Litoral, nem sequer a densa umidade da floresta ou da Guayana, e nem as verdes pradarias da Savana, nem tão-somente o rítmo veloz da capital, o que faz possível o sustantivo da beleza. Não são, também, as palmeiras do Lago Maracaibo, e nem a chicha do milho, ou o cacau, café ou algodão, nem pelo menos o rítmo do joropo, e nem pelo fato de ser terra de libertadores e sonhadores, o que possibilita a majestosidade do país. É, acaso, o conjunto, o mosaico e a soma dos contrastes, diferenças e riquezas o que faz possível com que Venezuela seja o equilíbrio da beleza.
LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
Venezuela ocupa a parte setentrional de América do Sul, em plena zona tropical. Com uma extensão de 916.445 km quadrados, tem fronteiras no norte com o mar Xaribe, no oeste com Colombia, no sul com Brasil e no leste com Guyana. No país distingue-se 6 zonas bem diferenciadas. A zona da costa do Caribe, que vai desde o lago de Maracaibo até a península de Paria, seguido da região do Delta do orinoco, nas costas do oceano Atlântico. A região de Los Andes, no oeste e noroeste, formada pelos sistemas montanhosos de Perijá (no percurso da fronteira com Colombia) e Mérida, onde levanta-se o Cume Bolívar, o mais alto. Prevalecem as paisagens de montanhas, cascatas e rios. A região úmida do lago de Maracaibo, importante reserva petroleira e com clima extremadamente quente. A região de Los Llanos, na zona central do país, ocupando perto do 35% do território nacional, que distingue-se pelas extensas pradarias e por ser a principal zona de gado. A grande Savana do Caroní, no sudeste do país, uma sucessão de terras povoadas de florestas, rios caudalosos e cascatas. Nesta zona encontra-se o Parque Nacional de Canaima, que alberga o Salto do Anjo, a queda da água mais alta do mundo e, finalmente, a região entre Los Llanos e a Costa, onde predominam os campos de produção agrícola.
Quanto aos rios, Venezuela é sinônimo de potencial hidráulico, graças aos rios que encontram-se na chamada Bacia Atlântica. Entre todos eles destaca o orinoco, o terceiro rio em comprimento da América do Sul, que atravessa completamente Venezuela. É muito caudaloso, graças à aportação dos numerosos afluentes, o que possibilita a sua navegação. Detacam também os rios São João, Guanipa, Caroní, Tocuyo e Catatumbo, pertecentes à Bacia do Caribe.
FLORA E FAUNA
As diferentes condições climáticas favorecem uma grande variedade de flora e fauna. Nas zonas elevadas com alta umidade, como é o caso da bacia amazônica e do Delta do Orinoco, predominam as selvas densas de origem equatorial, enquanto na zona da Guyana setentrional, mais seca, carateriza-se pelos sobrales e a vegetação de transição entre a selva tropical e a savana arbórea e arbustiva. A zona de Los Llanos está formada por uma superfície de relva, onde aparecem algumas raras espécies de árvores, franqueando os rios. Nas regiões onde a precipitação pluvial é pouca, a vegetação é do tipo xerófila e nas outras, as paisagens são quase pré-desérticas. Na zona dos Andes, a qualidade da flora será conforme a altitude. Até os 1.500 m extende-se a selva úmida que vai desaparecendo conforme for ganhando altitude, ficando o limite da vegetação arbórea nos 3.000 m, momento em que faz sua aparição, a vegetação típica de arbustos, quer dizer, a flora própria dos páramos, que extende-se até os 5.000 m, até chegar nas neves perpétuas.
Quanto à fauna venezuelana, existem mais de 1.250 espécies de aves de rico colorido. As melhores zonas para observar as aves é a região de Los Llanos e algumas áreas das costas. Destacam –se as araras, loros, tucanos, ibices, garças, pelicanos, beija-flores ou flamingos. Entre as espécies mais raras encontra-se o guácharo, ave noturna que alimenta-se só de frutos e que habita as grutas. O turpial, de penas amarelas, brancas e pretas, sendo a ave nacional.
Quanto aos mamíferos tem sido registradas mais de 250 espécies. Como em muitos países da América Latina, a onça, um dos animais mais enigmáticos, habita na Venezuela. Infelizmente, o felino encontra-se em perigo de extinção. Em troca, predominam os chiguire ou capivaras, o maior roedor do mundo, preguiças, diversas qualidades de macacos, tatus, tamanduás, pumas, porcos-do-mato, ocelotes ou antas.
Os répteis tem no jacaré o seu melhor representante. Existem cinco espécies como são o baba ou jacaré do Orinoco. No país pode-se ver também jibóias, iguanos, cobras cascavel ou mapanares.